Desabafo
Achei que eu ficaria uns meses sem escrever, tanto por falta de tempo como por ter perdido o entusiasmo com o blog, mas quando tem alguma coisa me incomodando me dá vontade de escrever, então aqui estou eu de novo. Acho que isso não quer dizer que eu esteja reativando o blog, só que me deu vontade de escrever, pois faz tempo que não escrevo. Nos últimos tempos, em vez de escrever aqui, tenho contado as minhas coisas para a minha terapeuta, risos. Mas assim como tem coisa que digo pra ela e não digo aqui, tem coisa que eu não digo pra ela e dá vontade de desabafar. E tem coisas que eu gosto de contar mas que eu não diria para ela, por exemplo detalhes de certas aventuras, fodas, fantasias, coisas que eu na certa não iria dizer pra ela.
Nem sei por onde começar. Muita coisa pra dizer, já estou vendo que este vai ser um post enorme. Primeiro de tudo, a net acabou de cair, acho que nem vou conseguir postar isso! Mas vou escrevendo no word e esperando ela voltar a funcionar. Acho que o jeito de começar este post é contando que eu estou bem, fiquei tanto tempo sem escrever que teve gente que até chegou a pensar que eu talvez tivesse morrido, risos, nossa, mas eu estou bem. As coisas podiam estar melhores, contudo. Espiritualmente eu estou mais ou menos. Meu relacionamento também está mais ou menos. Mas as coisas estão sob controle. Estou fazendo terapia, e isso tem sido bom, estou reaprendendo a controlar um problema que eu já tinha superado no passado, mas, surprise surprise, a vida dá voltas, a gente tem recaídas, o importante é reconhecer isso e ter humildade o suficiente para procurar ajuda. Mencionei um tempo atrás que eu estava deprimido, mas meu problema não é depressão, é outro, mas não vou entrar em detalhes aqui.
Há várias razões por que o meu relacionamento está mais ou menos. Uma delas é a razão pela qual estou fazendo terapia. É difícil para alguém conviver comigo no momento, a pessoa tem que ter muita paciência, entender e respeitar meus limites, e também não dar corda para certas coisas que agravam meu problema. O Paulo tem sido um companheiro maravilhoso quanto a isso, eu não sei como ele me aguenta às vezes, risos. Faz parecer que não há problema algum, e realmente desta forma é como se não houvesse mesmo problema algum. Mas eu sei que às vezes deve ser estressante.
Outra razão por que meu relacionamento está mais ou menos é porque fui sincero demais quanto a uma coisa. Confundi honestidade com sinceridade. É possível ser honesto sem ser absolutamente sincero quanto a tudo, mas eu achei que para ser honesto eu tinha que ser sincero. Se eu pudesse voltar atras, eu não teria abrido a boca! Não vou deixar isso aqui no mistério, eu digo aqui o que foi que eu disse para ele que eu não deveria ter dito.
Uns meses atrás eu comecei a perceber o que eu já devia ter percebido sobre mim, mas que eu não tinha certeza. Engraçado é que alguém tinha me dito isso sobre mim, e eu ri e disse “nããão”. E no fim ele estava certo. Eu sou bissexual. No momento atual da minha vida, esta parece ser a explicação que faz mais sentido. Não cheguei à esta conclusão de uma hora para outra, mas depois de pensar muito, depois de sentir coisas diferentes. Engraçado é que eu tinha certeza que eu era gay e somente gay, e o que não se enquadrava nessa definição era reminicência do meu passado hetero.
Sabe, depois que descobri a minha homossexualidade eu comecei a vivê-la tão intensamente que meus olhos se fecharam para as mulheres. E quando eu pensava em mulher, eu só pensava na Sílvia. Me parecia que o que eu sentia era só saudades e um vestígio daquele amor. Mas aí eu notei que não era só ela, mas outras mulheres me interessam também.
Ah, hehe, nisso eu poderia contar um episódio no mínimo engraçado. Tempos atrás minha amiga lez estava tendo problemas com os pais e eles não estavam deixando ela sair de casa com a namorada ou outras meninas, então eu estava fazendo o favor de ir buscar ela e depois disso ela se encontrava com a namorada. Ela sempre agradecia e dizia que estava me devendo, então pedi pra ela me retribuir o favor, e ela saiu comigo e meus amigos heteros e fingimos ficar. Não fiz isso para me passar por hetero, o problema é que eles não sabem de mim e sempre tem alguém tentando me empurrar uma menina e me enchem o saco quando não fico com ninguém, então levei ela junto pra eles não tentarem me fazer ficar com ninguém. Não tenho orgulho disso e não conto sobre isso para os meus amigos gays porque eu sei bem como reagiriam (as críticas, as pedras, os olhares recriminadores), mas estou contando aqui, porque creio que quem lê meu blog talvez entenda. Talvez não aprove, mas entenda.
Mas continuando. A gente fingiu ficar, demos uns beijinhos. A maior farsa do mundo, visto que ela é lésbica e não estávamos realmente interessados um no outro daquela maneira. Contudo, nessa brincadeira de fingir, beijar e abraçar, rindo solto e nos divertindo, alguma coisa foi um pouco melhor do que o esperado, algum abraço “inocente” foi menos inocente ao sentir os seios dela pressionados de encontro ao meu peito. Quero dizer, para mim foi menos inocente do que foi para ela. Eu acabei ficando excitado com aquilo tudo. E meio intrigado também. Morri de vergonha quando uma hora sem querer ela acabou notando (ela acabou “encostando” e notou, risos), mas felizmente ela nem pensou que aquilo tivesse alguma coisa a ver com ela, ela achou que eu estivesse entusiasmado com algum cara que eu tivesse visto lá!
Ao refletir sobre isso mais tarde, percebi que ficar com ela tinha sido um erro, pois eu gosto dela como amiga, e eu não gostaria de estragar a nossa amizade de maneira alguma, felizmente ela não percebeu, pois se tivesse notado que aquilo era por causa dela, tudo teria mudado. Para deixar bem claro, eu não estou a fim dela. O que tinha me excitado era o toque, o corpo feminino, podia ter sido qualquer garota em vez dela.
Aos poucos comecei a notar que eu ainda me sinto sexualmente atraído por mulheres. Sempre que eu pensava nisso era contudo com uma certa incredulidade. Por exemplo, ao assistir uma cena de sexo entre um homem e uma mulher, eu ficava excitado, mas fica difícil saber numa situação dessas pois mesmo olhando para a mulher eu estaria olhando para o homem também (não tem como ligar uma coisa e desligar outra).
Mas como tirar a prova, para saber mesmo? Basta ter vivido a maior parte da minha vida como hetero? Basta sentir atração por mulheres em certas ocasiões? Ou teria que trepar com uma e tirar a prova? É claro que não vou transar com uma mulher porque eu estou namorando! O melhor teste que fiz pra saber foi assistir sozinho um filmezinho pornô que emprestei de um amigo hetero, no qual só haviam mulheres. E para a decepção de alguns de vocês, o test drive foi muito bem sucedido. Ir além disso e transar com alguma garota é uma coisa que eu não posso fazer. Mas eu sei o que eu sinto. E eu me sinto atraído por homens e mulheres. Para ser sincero, seria mais fácil ser uma coisa ou outra, em vez de estar no meio, entre uma coisa e outra. Pois as pessoas nas extremidades opostas geralmente não aceitam quem está no meio.
E eu achei que seria honesto da minha parte contar para o Paulo isso sobre mim, a conclusão à qual eu tinha chegado, crente que ele entenderia que isso não muda em nada o que eu sinto por ele e que não faz a menor diferença. Mas ele não aceitou muito bem. Ele ficou achando que talvez eu tenha alguma razão para contar isso assim de repente, algo que eu não tenha dito. Ele ficou chateado e desconfiado, e está ciumento como eu nunca vi antes.
Pior é que nos últimos tempos eu estava tentando resgatar minha amizade com a Sílvia e sentindo ciúmes por causa do namorado dela. Eu estava seguindo o conselho de um amigo meu, que disse que eu devia tentar fazer amizade com o namorado dela e assim se eu sentisse alguma amizade por ele, eu não o detestaria tanto por ter me substituído. Tá... Eu andava vendo eles volta e meia. E acho que sou meio transparente, acho que o Paulo percebeu os meus ciumezinhos (leia-se ego ferido) e depois de eu sair do armário para ele como bi, ele liga uma coisa à outra, embora não tenha nada a ver.
Volta e meia ele diz alguma coisa que de leve se refere indiretamente à minha bissexualidade, ou faz algum comentário mais direto. Parece que ele está ferido e quer me ferir. Eu gostaria de poder voltar atrás e nunca ter dito nada.
Ultimamente parece que está tudo meio errado, que há uma certa distância entre a gente. A gente nem tem transado com a mesma frequencia de antes. Às vezes parece que é falta de oportunidade, por causa de trabalho, compromissos, cansaço, etc, e de repente quando percebo o tempo passou tão rápido e ficamos duas semanas sem transar, apesar de termos nos visto várias vezes. Não sei por quanto tempo ele ainda vai continuar tendo dificuldade para aceitar. Minha terapeuta disse que se eu estivesse pronto para sair do armário e apresentasse ele aos meus pais como namorado, tudo melhoraria. Ele está se sentindo inseguro e eu estar no armário só piora isso: ele pode pensar que para mim fosse mais “conveniente” estar com uma garota do que com um homem, eu não teria que me preocupar com o que os outros pensam e em ser aceito.
Eu estou com ele poque eu o amo. Eu não o trocaria por uma garota por ser mais conveniente. Eu só o trocaria por outra pessoa se estivesse apaixonado por outra pessoa, e sendo assim, não faz a menor diferença o sexo da pessoa, não há razão para ter mais ciúmes por causa de uma mulher do que por causa de um homem. As changes de eu o trair ou de o trocar por outra pessoa não mudaram em nada, nada mudou. É tudo na cabeça dele.
Entendem o que eu digo, a diferença entre ser honesto e ser sincero? Ser honesto é amar e ser fiel ao parceiro. Ser sincero é falar abertamente sobre certas coisas. É possível ser completamente honesto sem ser sincero demais. Sinceridade demais às vezes estraga as coisas.
Eu queria que o Paulo não pensasse em coisas como eu ficando com alguma mulher, queria que ele soubesse que isso é muito improvável, mas com as coisas que acontecem ao nosso redor fica difícil não acreditar que qualquer coisa é possível, quando nosso amigo loirinho passivíssimo até a morte está namorando com uma menina! Sim! E ele sim, é gay mesmo, mas namorando com aquela mesma menina com quem ele ficou naquela noite em que ele teve uma crise (já contei sobre isso aqui tempos atrás). O caso dele é um caso perdido mesmo, pois ele está apaixonado pela menina, mas ele sexualmente só gosta de homem mesmo, e só gosta de dar, então, como é que tá indo esse namoro e como é que ele tá transando com ela, isso eu não sei. Ele anda bem sumido do mundo gay, mas é isso que ele queria mesmo, contudo acho que isso é uma fase e isso passa. Uma coisa que sabemos (e MUITO bem) é que o loirinho está subindo pelas paredes de vontade de dar, risos! Tenho que explicar melhor isso.
Encontramos ele numa boate tempos atrás antes de sabermos que ele tava namorando a menina. O loirinho estava tão sumido que foi uma surpresa encontrar ele lá, falando com o Paulo (pois o Paulo chegou antes que eu). Quando eu cheguei ele (o loirinho) me deu um beijinho e sumiu. Mas volta e meia víamos ele. Ele estava num ritmo alucinado, tenho certeza que devia ter tomado alguma coisa. E estava se jogando na pista, e volta e meia passava pela gente, se esfregava descaradamente no Paulo. Caía em cima dele “acidentalmente”, vinha dar selinho em mim. Eu já estava começando a ficar de cara com ele, se jogando no meu namorado na minha frente, e o Paulo também parecia que não estava gostando muito, e tentava ignorá-lo. E disse que antes de eu chegar ele tinha dado em cima dele várias vezes.
Uma hora o Paulo disse para ele parar de provocar, e o loirinho disse que não estava provocando, mas não demorou muito e veio se encostar de novo. Nessa hora o Paulo segurou ele pelo braço e apertou ele contra o balcão (segurando ele por trás) dizendo “é isso que você quer, é?”, e eu quase engasguei com a cerveja que eu tava tomando. Aquilo me pegou de surpresa, e num segundo vieram coisas à mente, pensei neles juntos (eles costumavam ficar, antes de eu conhecer o Paulo), o sorriso do loirinho era tão sensual e era tão óbvio que ele tava morrendo de vontade de dar pro Paulo, e o Paulo apertando ele por trás daquele jeito, não parecia que era só pra fazer o loirinho parar, parecia que ele queria. Ele olhou para mim e largou o loirinho, deu um passo pra trás, e olhou para mim como se tivesse que se explicar. E o loirinho tinha se virado e sorria um sorriso delicioso. O mundo parou por um momento enquanto eu olhava para eles.
O que se passou em seguida foram eventos decorridos em consequência de uma pausa cerebral, durante a qual as funções mentais e físicas foram controladas somente pelo pinto.
Aquilo, para a minha surpresa, me deixou com muito tesão.
Cheguei mais perto e beijei o loirinho.
Na boca. Beijo de língua.
Na frente do Paulo.
Por um momento o Paulo olhou pra gente completamente passado e sem palavras. Então eu beijei o Paulo. Sorri. Peguei o loirinho pela mão. Beijei ele. Foi um momento daqueles, de alto tesão, de parecer que dá pra ouvir o coração batendo alto, um momento em que ninguém diz nada mas que as intenções estão bem claras.
Eu nunca terminei a minha cerveja. Meu copo ficou lá na boate, e nós três terminamos a noite na minha cama.
De manhã o loirinho contou sobre a namorada e o problema dele, que ele gosta dela mas que ele sente falta de transar com homens, que está sendo difícil controlar isso, mas que ele não quer terminar com ela.
Eu não sei o que vai acontecer com o loirinho. O namoro dele na certa que não vai acabar bem, e na certa seria melhor se acabasse mesmo e ele pudesse viver uma vida normal novamente.
E o meu namoro, eu não sei. Se necessário, tentaria uma terapia de casal, mas espero que ele consiga passar por cima disso. Eu o amo. Ele sabe disso. Mas ele está inseguro e é como se eu tivesse machucado ele com a minha revelação. Se ele apenas entendesse que nada mudou.
Eu sou tão idiota.
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